Caipirada vezes DEZ

No décimo ano da Atlética da Morsa, PucCamp fez mais um Juca ser histórico

//Por Verena Foltran, especial pra Salseiro//

Assim como a Atlética Comunica Puccamp, o bar Esquinão das Universidades, que se localiza no primeiro balão da PUC Campinas, completa dez anos este ano. Coincidências a parte, o barzinho do Senhor Wilsão serve como referência de local de partida para o JUCA da Puccamp e palco de cenas lamentáveis desde que qualquer estudante de Comunicação se recorda.
A desconfiança é tanta que, quando liguei para confirmar esses dados, Wilsão não quis passar o sobrenome dele, com medo que alguma coisa fosse acontecer. A conversa foi mais ou menos assim:
– Beleza Wilsão. O bar existe há dez anos, mas há mais ou menos quantos anos a saída do JUCA acontece aí?
– Por quê? Vai me dar algum problema? Coloca meu nome só como Wilson, e aí quando eu souber se esse texto é de verdade, eu passo o sobrenome. O pessoal dá muito problema. Tchau.
Não é à toa. A espera (ou se você preferir chamar, o atraso) dos ônibus já é costumeira. É só perguntar para qualquer membro da Atlética que horas o ônibus vai sair que a resposta vai ser com um sorrisinho de canto de rosto: “Ah, começa às 23 horas, mas você conhece né? Mas chega na hora. Se você não estiver lá, saímos sem você”.
Mas esse atraso passa rápido. Qual é? Uma reunião de universitários, sedentos por cerveja, na frente de um bar. O que você acha que resulta disso?
Meia noite e meia e os ônibus 1, 2 e 3 saíram das redondezas do Parque das Universidades e foram rumo à Sorocaba. O destaque especial desse texto, dessa vez, vai para o ônibus 3, que carregou uma boa parte do coração da Atlética Comunica Puccamp: a Batuca e a Brigada. Teve batuque, goró, fumaça e rima improvisada. Teve discussão, bixos trancados no banheiro (com consentimento, por poucos segundos e como brincadeira sadia!) e até gente que cochilou (acredita?).
A gerência do trem bala chegou em Sorocaba perto das 2 horas da manhã. Eu poderia dizer que o resto é história – porque é mesmo –, mas como prometi relatar alguns acontecimentos, e foram MUITOS, vou citar apenas um marcante e que eu me recordo com mais clareza de cada dia. Boa nostalgia para vocês ?
26/05/2016
Vocês queriam uma arquibancada sinistra? Vocês queriam fumaça verde até não aguentar de tossir? Vocês queriam ver o árbitro pensar por quanto tempo ele teria de parar a partida? Queriam ver o adversário tremer ao olhar para nossa torcida? Queriam ver torcedor pendurado na grade, voz rouca saindo da garganta de todo mundo, sinalizador queimando os pés e a dor no braço de tanto segurar as faixas?
Pois bem. Podem falar que viram tudo isso. Porque eu vi. E sabe quem viu também? Um molequinho de uns 9 anos, lá de Sorocaba, que escolheu ficar na nossa torcida para assistir a partida. Não sei o que trouxe ele até ali, mas não é legal imaginar a história que ele vai contar pro pai dele? Até me ajudou a pendurar bandeira.
Taca taca taca taca taca taca taca taca.
27/05/2016, sexta
17 horas
Carrega a tina. Cadê a cerveja? Organiza o sinalizador. Organiza os fogos. Pegaram todas as bandeiras? Tira o chinelo, coloca o tênis. Cadê as máscaras? Pegaram as bombas? Precisa de mais gelo. Quem vai ficar? Quem vai filmar? Cadê a van? Vai cortar o open bar? Quanto tempo para chegar?
17h30
Sai ônibus, entra gente, sai ônibus, entra gente.
“ÚLTIMO ÔNIBUS, FUTSAL FEMININO! ÚLTIMO ÔNIBUS”.
18horas
Chega ao ginásio. Precisamos que o pessoal nos encontre.
“Acende o sinalizador!”.
Foi um amontoado de gente, naquele cantinho esquerdo G1, que chamou outro amontoado de gente e, quando vimos, era um caldeirão verde impossível de se desviar os olhos. Desculpa Sorocaba. Desculpa Vitão. Desculpa LAACA, e desculpa todo mundo que mais tarde nos disse o quanto aquilo traria problemas.
Mas eu juro que aquele time valeu esse risco. Eu juro que aquelas meninas mereciam aqueles sinalizadores e aquelas vozes cansadas se esforçando para tirar o grito do fundo da garanta. E eu juro para vocês, que o mínimo que a torcida tinha de fazer naquela hora, era sair da zona de conforto, por um time que várias vezes também fez isso.
Posso citar as quadras alagadas em que eu vi o Futsal Feminino da Puccamp treinar no início de 2015. Posso citar os dias de frio em que eu assisti quatro meninas saírem de casa para irem fazer treino físico em uma quadra minúscula emprestada. Posso lembrar de caronas perdidas, de treinos cancelados, de dias de raiva e quase desistências. Do início torto em 2014. Existem tantas coisas possíveis que justificam o motivo do Futsal Feminino ser o time que mais merecia e precisava daquela vitória, que chega até ser redundante eu ficar lembrando vocês. Então, para não ser mais uma daquelas mães que ficam babando em cima do filho (até porque o futsal feminino tem várias mães), vou resumir em uma palavra o motivo de elas merecerem o que aconteceu naquela sexta-feira: força.
As mina é foda, cara. As mina ficaram lá. Debaixo de chuva, debaixo de sol. Elas viram nelas mesmas, no escuro, o que muita gente só enxergou quando estava claro: o potencial. A vontade. O talento. Futsal Feminino 2016 e todo mundo que carregou essa história nos anos anteriores, eu digo e repito: vocês fizeram história. Como mulheres, como atletas, como Puccamp. Nunca se esqueçam disso.
00 horas
Festa do meio. Resumo da obra: Muita bebida. Muito samba. Quem diabos deu uma camiseta de Comissão Técnica para o Thiago Afonso? Aquela bebida da LEP realmente é do diabo. Que Deus perdoe essa Geração Dobra Manga. Pessoas caindo. DJ Léo, coloca Claudinho e Bochecha pelo amor de deus. Batuca. Mais batuca. Mais pessoas caindo. Sol raiando.
Taca taca taca taca taca taca.
28/05/2016 – Sábado
Nesse dia eu vi: um emaranhado de gente cantando Chupa Xoxota para um carro de polícia. Um menino ser expulso pela própria torcida por ser um grande babaca (boa, Brigada!). A agonia do futsal feminino por saber que perdeu merecendo ganhar. A Brigada Puccamp usando sinalizadores e fumaças para festejar um menino que tomou banho. Nesse dia eu vi a Valeska Popozuda de perto, e comi um cachorro quente sem salsicha. Mas o mais interessante desse dia, entre tantas coisas, foi o final dele, em que eu vi uns 50 malucos da Puccamp (a nata, sabe? Aquele pessoal que você olha de longe e já pensa “Até já sei quem é”), com o sol raiando, cantando ao lado de mais um Seu Zé, e fazendo de uma folha de árvore um bandeirão. Nesse eu dia eu vi muitas coisas, de várias eu não lembro, mas de uma eu tive certeza: eu vi a raiz daquele lugar se firmar. Eu vi a Velha Guarda misturada com bixos, mostrando que temos sim gerações diferentes, com costumes diferentes, gostos diferentes. Mas o que importa tudo isso, quando temos uma coisa tão maravilhosa quanto a Puccamp em comum?
No final estava todo mundo lá. Até o Seu Zé conseguiu aparecer!
29/05/2016 – Domingo
8 horas – Estados Unidos! Estados Unidos!
16 horas – Maratomba
Todos os dias e horas desse JUCA: Não aguento mais ver o pinto do Evandro.
Se você guenta, vem pro meu lado. Até ano que vem.

Verena Barbosa Foltran, quase jornalista, apreciadora de açaí em dias frios e devota das boas lembranças que carrega

 

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